Tablets e leitores eletrônicos caem no gosto de profissionais de Limeira
Por Daíza Lacerda, da Gazeta de Limeira
O desenvolvimento tecnológico oferece soluções para todos os gostos e necessidades. Foi assim que o notebook se popularizou nos últimos anos e os smartphones ganharam espaço como um “computador de mão”. Se tamanho era o problema, o mercado foi invadido pelos netbooks, os notes de tamanho reduzido. Entre tantas opções de uso, depois dos leitores eletrônicos, a onda tecnológica agora são os tablets – aparelhos com formato de prancheta, finos e leves, com uma tela que pode ser acessada pelo toque.
Para ler uma revista ou acessar a agenda, o empresário Bruno Bortolan, 28, pode recorrer aos 680 gramas e 64 gigabytes de seu iPad, lançado pela Apple com estardalhaço neste ano. No trabalho com negócios digitais e mídia tradicional, o produto auxilia na incumbência de passar o mundo off-line para o on-line. “Funciona como um computador móvel pessoal, substituindo o notebook. Uso aplicativos de e-mail, agenda, planilhas e editor de textos, ouço músicas e vejo vídeos, além dos aplicativos para leitura de periódicos internacionais”, enumera o “applemaníaco” sobre o novo formato, não tão grande e pesado como um notebook, nem tão pequeno e limitado como um smartphone.
Bortolan pontua que o produto é de rápida popularização e abre possibilidades para o mercado de programação. Considerando a tradicional concorrência da indústria asiática para equipamentos eletrônicos, já existem produtos semelhantes de outras grandes empresas – o mesmo ocorrido com o lançamento do iPhone.
Como nem tudo são bits, o iPad também teve críticas da comunidade geek (como se intitulam os aficionados por tecnologia). Como usuário, Bortolan já aponta algumas, como a falta de suporte ao formato flash (aplicativo que permite determinados tipos de visualização, como o Jornal da Mulher, disponível na página inicial da Gazeta), e a não execução de multitarefas, mas apenas um aplicativo de cada vez. As marcas de dedos na tela são outro fator, além de o tablet não ter câmera, e nem suporte para programas de conversação em áudio via conexão, como o Skype.
LEITOR PRECURSOR
Voltando pouco mais de um ano no mercado de novidades, a revolução era feita por outro produto, de formato semelhante, mas direcionamento diferente. O Kindle, leitor eletrônico da Amazon, surgiu em meio à popularização de versões de periódicos digitalizados em arquivos de texto ou pdf, inclusive ilegalmente, na internet.
O juiz de Direito e professor universitário Luiz Augusto Barrichello Neto adquiriu o Kindle logo que foi lançado, e pôde trocar o transporte de diversos volumes grossos e pesados dos Códigos pelo aparelho, que armazena até 1,5 mil livros. “O ponto forte dele é que tem uma espécie de tinta eletrônica, algo próximo da impressão, que não cansa a vista, porque não emite luz e não gera calor – o que faz a bateria durar uma semana”, explica o juiz, que não gostava de ler no computador.
A ressalva é que o aparelho não proporciona o “prazer de folhear o papel”, mas abriu caminho para a comercialização de livros digitais em formatos de planilha de texto ou pdf, além da assinatura de jornais e revistas que aderiram à plataforma. “Tenho os periódicos disponíveis assim que a edição é lançada no exterior. Além disso, as obras são bem mais baratas do que as em papel”, lembra Barrichello.
Para não tender a julgar o livro pela capa, podem ser baixadas amostras grátis das obras. O mesmo serve para o iPad, que teve a união com o Kindle em aplicativo da Amazon, para a aquisição de obras para uso no produto da Apple. O Brasil, porém, encontra-se na lanterna desse mercado. “O acervo brasileiro é limitado, com cerca de 600 obras para o Kindle. É muito pouco perto da disponibilidade em inglês”, diz o juiz, que diz serem encontradas obras atuais, embora os clássicos, como os de Machados de Assis, ainda liderem entre os títulos nacionais.
Para Barrichello, o Kindle serviu como incentivo para ler mais pois, além do costume, adicionou os periódicos e mais livros, fora de sua área de atuação. Ressalta, no entanto, que continua usando o livro de papel. Inclusive, a leitura pelo aparelho já o levou a comprar obras “físicas”. “Temos exemplares de livros de até 200 ou 300 anos. Já o Kindle, não sei quanto tempo vai durar, talvez uns cinco ou sete anos, até ficar obsoleto com a mudança da tecnologia. É bom para quem vai adquirir um título e ler uma vez só, mas não para quem quer montar uma biblioteca e deixar para os filhos e netos”, pondera.
Quanto ao tablet da Apple, defende as propostas diferentes dos aparelhos. “Se for para escolher, fico com os dois”, afirma, enquanto aguarda a chegada do iPad, já encomendado. Ele presume que a tendência é que os estilos se fundam, para uma leitura não cansativa em plataformas mais completas. (DL)