Domingo, 13 de Julho de 2008 Versão Impressa
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Greenhalgh antecipa voto do STJ
Petista adianta para executivo do Opportunity como ministro votará
Fausto Macedo, Marcelo Godoy e Rodrigo Pereira
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O ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh conseguiu adiantar para Humberto José Braz, executivo do Opportunity, o voto do ministro Sidnei Agostinho Beneti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um processo em que o banco era uma das partes. Interceptações telefônicas feitas em 15 de abril mostram Greenhalgh conversando com Braz ? apontado como o responsável pelas ações de espionagem do grupo e acusado pela Polícia Federal de ter oferecido US$ 1 milhão ao delegado federal Vítor Hugo Rodrigues Alves Ferreira a mando de Daniel Dantas.O petista diz às 10h15 que está em Brasília e vai ao escritório de Beneti. O ministro iria participar naquele dia do julgamento do processo 2006/0236147-2, em que, de um lado estavam investidores institucionais de fundos de ações e, do outro, o Opportunity Equity Partners Ltd. O grupo de Dantas quer adiar a decisão judicial para forçar um acordo do Citibank, possibilitando a venda da Brasil Telecom para a OI ? as duas partes brigavam há anos na Justiça. Às 13h39, Greenhalgh e Braz voltam a conversar. Greenhalgh tranqüiliza o executivo, dizendo que é “um abraço”. Vinte minutos depois, em outro diálogo, o petista conta a Braz que o relator, o ministro Ari Pargendler, vai apresentar seu voto, mas o 2º magistrado pedirá vistas do processo. Beneti era o segundo julgador. Às 14 horas, o caso foi a julgamento no STJ.De fato, as coisas se passaram como o ex-deputado disse. O relator votou e o segundo julgador pediu vistas, mas o terceiro componente da turma, o ministro Massami Uyeda, resolveu antecipar o voto e acabou indo contra os interesses do Opportunity. “Não há como afirmar se realmente ocorreu conversa com o ministro Beneti (que eventualmente poderá ser objeto de outra investigação com procedimento próprio). O que se pode afirmar é que Greenhalgh diz ter realizado tráfico de influência e que teria a informação privilegiada sobre o pedido de vista do ministro”, diz o delegado Protógenes Queiroz em seu relatório.No dia anterior, o cunhado e sócio de Dantas, Arthur Joaquim Carvalho, fala com Verônica Dantas, irmã do banqueiro. Ela avisa que “o ministro é Sidnei Beneti” e diz que Carvalho “precisa passar os detalhes sobre a legislação para o Madeira, que é amigo do Gilmar” e “isso pode parar na mão dele”. Para a PF, tratava-se do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal. Outras gravações, para a PF, comprovariam a influência do grupo nos tribunais superiores. Como nas conversas de Braz com o advogado de Dantas, Nélio Machado, nas quais falam das tentativas de obter no Tribunal Regional Federal de São Paulo informações sobre o inquérito que corria sob sigilo contra Dantas. A questão também foi tratada entre o lobista Guilherme Sodré e Danielle Ninnio em 13 de junho, na qual indicam que obteriam tais informações no Supremo. O Estado procurou Greenhalgh e sua assessoria, que também não conseguiu localizá-lo. Na terça-feira, ele divulgou nota oficial afirmando que prestava serviços como advogado criminalista para Dantas. Disse ainda que “nem mesmo na ditadura militar” foi investigado em função de seu trabalho. Os ministros do STJ estão em férias e Beneti não foi encontrado pela Secretaria de Comunicação da corte.TRECHOSDiálogo entre Guilherme Sodré e Danielle Ninnio, de 13/6/08, no qual a PF suspeita que o grupo ”obteve informação privilegiada” de decisão de um ministro do STFDanielle: Ele ficou com o entendimento errado. Ele entendeu que a gente só não deu o número do processo porque deu direto para o STJ, mas a gente pediu, entendeu? (…) Eu até já falei com Nélio agora de manhã que eu tava achando que era o caso de fazer chegar a ele que a gente pediu, para que ele não ache que a gente pulou uma instância para a outraGuiga: (…) Ele vai negar o pedido e conceder acesso ao processoDanielle: Ele acha que vai, né… o salvo conduto … mas vai concederGuiga: A impressão dele foi essa (…) a minha sensação é que ele nega o pedido e libera o acesso ao processo. Dentro dos trâmites legais com os cuidados que deve ter o sigilo, mas vai abrir. Pelo menos se isso acontecer a gente vai saber que diabo… o que diabo é que está por trás disso, não é?Danielle: Eu desconfio que a sacanagem seja ainda maior, que eles não colocaram nada nos autos (…)Guiga: esse é o modus operandi dele, certo… desse delegado

FONTE: ESTADÃO

About Dr. Luiz Augusto Barrichello Neto

Luiz Augusto Barrichello Neto é Juiz de Direito, Juiz Eleitoral e Professor Universitário
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